
Certa vez - pra variar - chovendo muito. Sim eu atraio chuva - e muita - do tipo tempestade querendo virar tornado. Entro num ônibus num terminal rodoviário desses insuportáveis e fedorentos da vida. Sento, e ponho-me a observar - aliás eu seria um ótimo scouter para alguma agência de modelos bizarros. Percebo que a minha frente num papinho animado, sentam-se duas jovencitas dessas clonadas, mas bem bonitinhas. A viagem inicia, a chuva cai, elas falam e Ele olha para trás... Meu Deus o que era aquilo? Um senhor com cara de Speotyto Cunicularia, começa a investir olhares ensaiados, tipo So Sexie - numa mistura cruel de Zé bonitinho sem laquê, somada a uma versão indiana do Noel Rosa - para as duas meninas. Elas conversavam e faziam de conta que aquele ser não estava à frente delas. Ele, meio coruja louca a todo instante virava-se para surpreendê-las com um novo olhar fatal. Vi passar ali vários deles, ele era o próprio lindo de plantão. Seu Laser Eye seria capaz de fazer Rodolfo Valentino virar uma odalisca e Marlon Brando a própria Gina lolobrigida. O que não esperávamos - elas e eu - é que ele havia preparado um grand finale pra toda aquela seduction. Numa derradeira virada o Macho fatale tenta sua última arma de conquista... Aparecendo do nada com um óculos de muitos graus, ensopado e embaçado que clamava por um limpador de parabrisas urgente. Faz cara de lindo e a mantém fixa aguardando o resultado. As meninas entreolharam-se e eu também entreolhei-me... seguiu-se um breve silencio e ao mesmo tempo explodimos os três numa sonora gargalhada.
- Ele?!
Nem aí... virou-se pra frente e recolheu seu charme a nossa insignificância.
- Ele?!
Nem aí... virou-se pra frente e recolheu seu charme a nossa insignificância.