domingo, 2 de maio de 2010

O taxi, O gloss man e Raimundo Fagner - Final

domingo, 2 de maio de 2010


Disfarçando o máximo que podia, sem olhar pro beiço brilhoso do moço, perguntei se ele conhecia a região.Onde nós iríamos era perto da colónia de ferias de um certo banco e de uma usina de reciclagem de uma fábrica de refrigerantes. O Gloss man afirmou que conhecia e após resgatar meu filho e amiga entramos no táxi. Fui sentado na frente, minha amiga atrás e meu filho cochilando ai lado dela.Mal o motorista arrancou ela começa a falar da mulher que a atendeu mal na barraquinha de comidas e que estava deixando as pessoas passarem na sua frente e que por pouco não deu uns safanões nela, e blá, blá blá, até perceber que o caminho por onde íamos estava diferente...
-Esse caminho tá errado hein?! falou em meio a outros blá, blá blas...
Bem, aqui preciso admitir que tenho o senso de direção igual a de uma girafa bêbada especialmente se tem alguém que sabe o caminho.Dai eu abstraio, distraio, multiplico, no melhor estilo "Dónde estoy, quién soy yo" isso é de lei.
O motorista parou o carro numa encruzilhada sinistra e falou assim:
- Ó aqui fica a colônia de férias do Banco que vocês falaram, é aqui mermo!
Eu completei...
-Amigo a colónia de férias aqui é do Banco do Brasil, a que procuramos é do Banestes (Banco do estado do ES), além do que, fica perto de uma usina de reciclagem , então nem uma coisa nem outra...
Nessa hora o sr. lábios reluzentes ficou meio puto e disse mas onde é então?!
-Olha fica perto da rodoviária que ficou pra trás um tempão? disse minha amiga ainda contando sua história pra mim...
Volta o moço em direção a rodoviária. Chegando lá, cheio de certeza (?) aponto pra ele:
-É aliii óoo ha ha ha que distraidos, conversando nem prestamos atenção ha ha ha ! risadinha pouco ou nada convincente de alguém que não prestaria atenção nem que fosse surdo mudo
O cara entrou por ali, rodou, rodou rodou e nada de achar o ponto de referência.
Minha amiga dos pés quase gangrenados e de saco cheio resolve perguntar pro Gloss Man algo fatídico (pra ela).
-Meu filhoam vocêam é daquieam? (no melhor carioquês)
Resposta completamente inapropriada:
-Não! (simples assim)
- Ihh Fudeu!(sic) retruca ela e eu quase pulo pra trás pra cobrir os ouvidos de meu filho, pois sabia que de onde saiu esse fudeu outras palavrinhas da mesma família iriam escapar...
O pior e o mais engraçado veio a seguir:
-Eu tinha bebido não sei quantos goles de vinho de jaboticaba (especialidade da região) e estava como direi... feliz! nesse momento percebi que não podia olhar para o perfil do moço por que o brilho labial faiscava, inclusive fora do contorno da boca.
Quando ele nervoso falava comigo eu respondia olhando pra frente, doido pra dar uma sonora gargalhada. Minha amiga é apavorada com assaltos e afins.Na cabeça dela uma historinha policial se formou em questão de minutos. Comecei a sentir uns cutucões nas minhas costas pelo banco de trás, era ela tentando um tipo de código-morse-do-crioulo-doido, que me dava mais vontade de rir especialmente quando percebi que na cabeça dela estávamos sendo raptados, e seriamos levados para alguma croca e mortos após a família óbviamente negar o resgate...
Num determinado momento, no meio de uma estrada não muito clara, o motorista para o carro e mexe no bolso.
Levei nessa hora o maior dos cutucões.Cheguei a pular! enquanto ele falava ao telefone ela sussurrou ao meu ouvido:
- Xiii lascou de vez! ele vai chamar os cúmplices que estão aguardando nesse ponto aqui pra desovar a gente!
Nesse momento não segurei riso.Olhando para aqueles lábios e o tamanho hobit do taxista não conseguiria nunca imaginar o que a mente dela arquitetou.Tive uma crise de riso incontida.
O rapaz puto da vida, havia simplesmente ligado para um colega perguntando a localização de onde estávamos e pra onde deveríamos ir...
Resolvido o problema. Chegamos finalmente na subida do sitio e avistamos a casa no topo da ladeira com a lua por detrás das árvores. Cenário pra Hitchcock nenhum botar defeito.Se eu fosse o taxista nem retocaria o Gloss. Deixaria rapidim aqueles passageiros nonsense por alí antes que alguma *velhinha A la Psicose descesse correndo pra pagar a conta...
Se Fagner estivesse naquele taxi teria se divertido muito mais do que naquele palco frio e sem graça, ah! brilho não faltaria isso eu garanto.


* Norman Bates me assusta mais "a paisana" do que fantasiado de mãe dele.



15 contribuições para o avesso do Blog:

Marcelo disse...

Rapaz, que aventura! rss Com uma amiga dessa nem precisa de outra... O que faz um par de calçados apertados nos pés de alguém, né? rss

Que bom que teve final feliz... Mas que foi divertido, foi, hein? Só não mijei de rir pois tinha ido ao banheiro antes (só pra constar). kkkkk

Abraço.

Luciana P. disse...

Divertidíssima a sua saga. Dei umas boas gargalhada aqui, eu e a tela, só imaginando as cenas...
Confesso que o seu senso de humor pra rir da própria desgraça é campeão de audiência.Eu teria surtado, hahahaha.
Assim como a sua amiga, teria sobrado tempo pra uma historinha cabeluda sobre sequestros e afins. Afinal, o ambiente era pra lá de favorável e pessoas criativas são um perigo, hahahaha...

Beijos ensolarados de um domingo pra lá de lindo.

Serginho Tavares disse...

hahahahahhaha
gente, que medo desse gloss man viu?

A. Reiffer disse...

É uma espécie de conto de não-ficção? Está muito bom, de agradável e interessante leitura.

Insana disse...

Na proxima me convida rss
bjs
Insana

Mulher Asterísco disse...

Affe...eu quero este vinho de jabuticaba...

Marcos disse...

Eu achei que o motorista era um drag queen que tinha terminado o primeiro turno e fazia bico de taxista... e tinha esquecido a maquiagem.

Agora adorei vc escrevendo em carioqueis.... é exatamento desse jeito... e além do que sua amiga deve ser apavorada, pq no Rio vc tem que desconfiar até de taxista...

Boa a história... pena que Raimundo ficou para outra oportunidade... mas sua mulher é louca de deixar vc desorientado ir embora sozinho rsrsrsrsrs.

Abçs

Edu disse...

GPS para taxistas, urgente!! :-) Tira o IPI dessa porra, seu Lula!

Luna Sanchez disse...

Rs

Eu não tenho mania de perseguição, mas, nesse caso, teria ficado mais psico do que a tua amiga, ainda mais com dor no pé...meu Deus!

Três coisas me fazem parecer um pit bull cheirado : fome, sono e dor no pé. Me transformo, mordo.

Beijo.

ℓυηα

Denise disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
PRONTO
quase fui despedida pensando ai na sua amiga bocuda e no taxista purpurinado.

juro que se pegar justa causa tu é culpado

Tatiana disse...

Vc riu de mim ou para mim em meu blog??? kkkkkkkk...
Sem problemas... Assim como sou livre expressão espero que todos sejam quando passam por lá!
Que aventura heim?
Creio que se eu estivesse junto acabaria dando risadas também!

Tenha uma ótima semana!
Um abraço carinhoso

Andrea Pagano disse...

KKKKKKKKKKKK
Isso tudo não pode ser verdade!!!!
rsrsrs que doideira...
O cara não percebeu que vc estava olhando o gloss ou ele achou que por vc estar meio bebim ...rsrsrs
Adorei!!!
Bjs

Lila disse...

rssssssssss...menino, vc e suas aventuras..rsssss
Mas como sou besta nem nada, fiquei aqui imaginando o pé da coitada e o qto riram de td isso no outro dia.
Bjkas querido.

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, cara, realmente tem de tomar cuidado, mas não exatamente pelo sequestro em si, mas por encontra um taxista que fique rodando para encarecer a viagem.

Fique com Deus, menino Robson Schneider.
Um abraço.

εïз vanessa disse...

hauahauhauahahauhau
a-dorei =]