quarta-feira, 31 de março de 2010

Só ser...

quarta-feira, 31 de março de 2010




Ricky Martin saiu do armário, Dourado "O hétero" ganhou o BBB10.
Dicesar e Serginho "as bibas" fincaram bandeira do movimento glbtxywkxyz nos jardins suspensos da Babilónia global, e ai??
Confesso que isso tudo me incomoda. Reconheço que a intolerância gera
protestos e obviamente deve gerar.Intolerância em qualquer aspecto é
repugnante e deve ser combatida. Mas tenho me perguntando se apologias
também resolvem esse problemão da não aceitação....

Na boa? minha opinião é que não resolve, pelo contrario, piora. Ouvindo uma
fala do Dicesar em relação ao seu desafeto "Dourrado", minha consciência deu
saltos e sobre saltos!Ele dizia algo como : Ele vai morrer de perder o paredão
pra um gay! todos os "veados"(?) do Brasil vão tirar ele! Ham? como assim? É o
preconceito em favor do preconceito.
Final disso? mais intolerância!
Não gosto de "dias de orgulho negro, gay, hétero, branco, amarelo, lésbico, evangélico, católico ou qualquer outra coisa". Creio que esses movimentos se tornam promotores do preconceito, ao invés de combate-lo.
Parto do principio de que todos nos somos preconceituosos em algum aspecto. Existem heteros homofóbicos? sim, da mesma forma que existem gays heterófobicos e não são poucos...
As coisas estão caminhando pra terem o fim em si mesmas, e isso é apavorante!
Por que orgulho negro-branco-hétero ou gay? e não orgulho de ser.Só ser. apenas ser...
Tudo bem, papinho utópico? que seja, foda-se, cansado. Por que pra conviver precisamos assumir alguma merda de rótulo e só falar daquilo. fechando o cerco dentro de nós mesmos?
- Olá! muito prazer José Maria, hétero e negro....
-O prazer é meu! me chamo Maria José, branca e lésbica...
Tenho ensinado meus filhos a respeitar o individuo,o ser humano, e só evitar
relacionar-se quando ele, seja lá quem for, deixar de agir como tal. E que a cor, fé, orientação sexual são apenas alguns aspectos que compõem o todo do ser, mas não são o todo...e nem podem ser.
O contrario disso, é semelhante a alguém que vai em uma Igreja atrás de paz, amor e conforto e se depara com um pregador martelando sobre pecado-demônios-culpa ao invés de falar do amor de Deus que naturalmente gera paz e conforto.Constrangendo pela bondade ao invés do "chicote"...
Tais mensageiros, são na verdade promotores daquilo que condenam...
Vou parar por aqui deixando o brilhante Gilberto Gil fazer o encerramento:

Sabe gente...
É tanta coisa pra gente saber
O que cantar, como andar, onde ir
O que dizer, o que calar, a quem querer
Sabe, gente
É tanta coisa que eu fico sem jeito
Sou eu sozinho e esse nó no peito
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder
Sabe, gente
Eu sei que no fundo o problema é só da gente
É só do coração dizer não quando a mente
Tenta nos levar pra casa do sofrer
E quando escutar um samba-canção
Assim como "Eu preciso aprender a ser só"
Reagir e ouvir o coração responder:

"Eu preciso aprender a só ser..."

23 contribuições para o avesso do Blog:

Lobo Cinzento disse...

Que bom que você passa essa mensagem para os seus filhos!

Mas sobre toda essa questão... claro, o utópico e desejado realmente seria o orgulho do ser. Extremismo nenhum dá certo, pra qualquer lado que ele tenha. Heterofobia? Bem, existe. Mas pense: quando um termo denota uma denegrição de uma maioria contra uma minoria, funciona como uma forma de defesa. Agora se um termo de denegrição é usado de uma maioria contra uma minoria, não é uma forma de reforçar a segregação? Não que não existam gays heterofóbicos, porque existem. Mas veja a diferença. Um gay se defende por meio da denotação de homofobia. Um hetero não se defende pela denotação de heterofobia. Porque não tem do que se defender. São a maioria, são o padrão social. Pelo contrário. Suprime a minoria, no maior estilo: "Ponha-se no seu lugar e me respeite, porque nós imperamos aqui. Você não tem o direito de nos criticar". Não é assim que deveria funcionar. Mas é assim que está funcionando.

E os movimentos como promotores do preconceito? Bom, eu não vejo dessa forma. Os movimentos são mais fruto do preconceito do que promotores. Haveria necessidade disso que não houvesse toda essa segregação e preconceito? Creio que não. Tanto que o centro teórico de quase todos os movimentos e paradas é justamente protestar contra o preconceito, embora nem sempre isso chegue na prática.

Não tem como fugir, os rótulos existem. Agora cabe a pessoa decidir se vai deixar sua vida se limitar ao seu rótulo, ou não...

Abraços Robson!

Francisco II disse...

Fala amigão!!

Enquanto eu lia o seu texto (brilhante por sinal), fiquei lembrando do primeiro contato que tivemos, ocorrido através de um post que escrevi há tempos atrás, e onde fui mal interpretado por algumas pessoas.
O email que vc mandou logo em seguida, eu não esqueço, e ali começamos uma amizade que espero seja para sempre.
Voltando ao seu texto... assino aonde? rsrs

Abraços geminianos!

Marcos disse...

Passando por seu blog, gostei bastante do post! Compartilho com você a ideia de que ser é mais importanto do que o que você é!

Eu costumo dizer para pessoas assim: "eu me relaciono com as pessoas e não importa quem ela leva para cama".

Infelizmente ainda temos muitos preconceitos arraigados em nossas vidas... acabar não vai... o que importa é que existem pessoas que pensam como você!

Abçs

disse...

Bem, na minha cama por acaso dorme um homem, mas isso não a menor diferença, o que realmente importa é que existe amor e respeito.
Adorei seu blog rapaz!
Um abração.

paula barros disse...

Já comecei a ler o livro Cabana algumas vezes e não continuo, gosto, e não continuo...vendo ele aqui vou ver se me animo.

Também não gosto dos dias citados acima, nem das cotas...acho que temos que mudar em outro sentido...valorizar as políticas públicas, o ensino, a educação... e, resumindo concordo com seu texto.

Me lembrei de uma história que me contaram.

Uma moça chega numa padaria e pede uma fatia da torta nega maluca. E a atendente responde: a senhora devia pedir uma fatia de torta afro descendente, com alterações mentais.

O que muda? Mudamos o nosso prenconceito? A nossa forma de agir? Ou só mudamos os nomes?

boa páscoa!

RAFAEL disse...

oi Robson, obrigado pela visita, pelo comentário deixado.

Sobre seu post, tenho um pensamento muito proximo do seu. Intolerancia, fanatismo são coisas que me incomodam muito. Cresci num lar católico com pessoas que acreditavam que não ir a missa nos domingos era pecado mortal, mas olhar um pobre coitado passando fome na porta da igreja era coisa de vagabundo que não queria trabalhar. Só crescendo vc enxerga a diferença social, cultural, sexual e tantas outras. Ainda bem que um dia abrimos os olhos. Depois de passado todo o fervor do BBB, percebemos que Dicesar é tão preconceituoso com o seu adversario Dourado, como os 11 mil que deixaram recados no orkut de Jimmy. Bem, se for dizer tudo oq penso, deixo um testamento aqui...rs rs rs...volte sempre...gosto que pessoas inteligentes leiam meu blog. Sabe como é, a gente sempre sente uma insegurança se ta falando bem ou não.

abração

paula barros disse...

Robson, ri com o kit, e meus pensamentos...eu nem preciso de kit, tem horas que de tanto ir em banheiro público, um dia desse estava usando o banheiro de casa em pé..vai mais rápido...e também se a fila do banheiro feminino está longa e no banheiro dos homens não tem ninguém vou lá.

De todas as igualdades eu procuro aprender com a praticidade masculina, acho os homens mais práticos, complica menos.

Faz 15 dias que estava no Espírito Santo. Adorei!

Luciana P. disse...

Dizer o quê... você já disse tudo e muito bem argumentado, por sinal. Essa coisa de rótulo é um mal necessário, mas incomodativo pra caramba. E depois, BBB e programas afins estão aí pra polemizar e enfatizar isso, o que significa que nunca nos livraremos desses conceitos todos, que só atravancam a evolução humana.

Beijos pra ti!
Ótima reflexão!
Gostei!

Jou Jou Balangandã disse...

Olá!
Passei por aqui pra conhecer o seu cantinho, gostei e estou seguindo.

Temos divergências ... não gostei do "A Cabana", mas sei que sou minoria.

No mais, são os pensamentos contrários que nos enriquecem, não é mesmo?

Feliz páscoa!!!

Bjous

RAFAEL disse...

Oh Robson obrigado novamente pelas palavras deixadas no meu blog...tb to acompanhando vc...lendo posts mais antigos.

Abração, boa Pascoa.

Reflexo d'Alma disse...

Ei...
chegando pra conhecer.....
passa la no meu canto depois
e vi que recomenda
a leitura de A Cabana,
estou terminando, ganhei de aniversario em dezembro.
Bjins entre sonhos e delírios

Michele Moura disse...

<< Não gosto de "dias de orgulho negro, gay, hétero, branco, amarelo, lésbico, evangélico, católico ou qualquer outra coisa". >>

Robson, ainda que teu fosse unicamente a frase acima já teria sido excelente.

Pra mim, apologia é preconceito de dentro pra fora. Ou preconceito é apologia de fora pra dentro. Enfim, dá tudo no mesmo!

E pra piorar ainda tem cota-isso, bolsa-aquilo... e a sociedade que deveria ser igualitária vai ficando cada vez mais desigual...


Apesar de tudo, que tenhas, junto da tua família, uma Páscoa linda e cheia de significados: amor, união, respeito, sonhos e realizações!

um grande beijo meu amigo

Olavo disse...

Neste dia de Páscoa, gostaria de desejar a você muita paz e harmonia.

Que você tenha um reencontro consigo mesmo

e que as portas que Ele já abriu conduzam realmente a um caminho de muita luz,

renovação e libertação.



"Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos que ama" (Jo 15, 13)

- disse Jesus.

E Ele assim fez.

Cris disse...

Oi Robson! Obrigada pelas palavras no meu blog.

É, haja polêmica para tanta coisa...rs
Eu sigo aquela linha do EQUILIBRIO ( ou pelo menos tento) e procuro fazer isso com meus filhos.
Tudo a gente pode. Tudo está ai para ser provado, vivido, acontecido. O problema é: por que eu vou nessa? Vou porque os outros vão ou porque é uma escolha minha? Até que ponto eu posso ir sem atingir o outro?
Acho que liberdade só é liberdade quando tudo que vc procura está dentro de vc mesmo.
Vejo que os gays têm uma necessidade agressiva de demonstrações públicas de afeto ( indo além do afeto...rs). Algumas mulhres hetero ( veja BBB ) tem também uma necessidade de mostrar além da sensualidade em uma dança. Elas precisam mostrar a vulgaridade no pior sentido da palavra. E o pior é que o desejo disso só acontece se existe um público que gaste seu tempo em ver beijo na boca e outras coisas mais de um gay mal resolvido e outro preconceituoso com os heteros.
No lado das mulheres, são as que , pode apostar, são modelos e atrizes....rsrsrsrsrsrs Isso, acabando com a dignidade de quem realmente rala nas passarelas e em um palco.
O problema não é ser gay, o problema é ser vulgar.
O problema não é sensualidade, mas a vulgaridade...a coisa barata, banal em que o ser humano está transformando a forma que expressa seu EU.
É um risco que já corremos e já descemos a ladeira faz tempo.

Falei muito....rs
Uma linda páscoa pra vc e toda sua família. RENOVAÇÃO E LUZ!
beijo

Rosangela Neri disse...

É isso mesmo!
Concordo plenamente com o poema... parece tanto comigo, principalmente na frase que ando repetindo a alguns meses... "Assim como "Eu preciso aprender a ser só"

Beijocas da bisbilhoteira

Denise disse...

Existe diferenças ENORMES entre poder e dever
Poder se pode tudo,mas nem sempre deve.

e SER inteiro coisa que se faz MUITO URGENTE para todos,deve e pode,mas requer muito esforço,então acaba=se escolhendo a mediocridade de apenas........ir levando,jugando e pior condenando.

SEJAMOS inteiros e integros,o resto cada um que seja o que quiser e puder.

afagos

tossan disse...

Esse negócio de BBB e de preferencias estou fora e respeito. Agora esta letra do Gil é magnífica! Abraço

paula barros disse...

Robson, adorei o seu Estado, e voltei sem ter voltado, sabe como é?

Não sei se teve tempo de olhar as fotos do seu Estado lá no blog, e nem está tudo lindo que vi e senti.

abraço, boa semana!

Cara de 30 disse...

Escrevi um comentário "duca" mas antes de salvar a luz piscou aqui em casa e ele foi pra terra dos comentários perdidos... :)

Estou 100% contigo.

Os limites estão se perdendo e o jogo está se invertendo. Já sofri discriminação na rua por ser muito branco. Fingi que não ouvi e segui minha vida. FODA-SE. Eu sou feliz por ser do jeito que sou. Não preciso me afirmar pra ninguém que nem conheço.

Com isso, não discordo que as pessoas que se sentem realmente incomodadas e prejudicadas com qualquer preconceito não devam reclamar e buscar seus direitos.

A situação é que muitas vezes o preconceito parte dos próprios grupos e acabam passando para o resto da sociedade. Conheço negros que dizem não gostar de negros. Já vi homossexuais falando mal de outros homossexuais. Vai entender.

Eu acho que os limites da sociedade não estão claros e tudo está ultrapassando esses limites. Aí todos se sentem incomodados com alguma coisa e reclamam...

Quando o homem conseguir reencontrar seus próprios limites, a sociedade encontrará um tempo de paz.

Será que conseguimos chegar a este tempo?

[Farelos e Sílabas] disse...

===

Há muito o que se comentar nas linhas e entrelinhas, mas vejo que o texto também não pede isso. Você é tão transparente, sobretudo quando diz: “Na boa? minha opinião é que (...)”, “Não gosto de (...)”, ou, ainda, “Parto do principio de que (...)”. Esta é a sua maneira de observar a vida ao seu redor. Eu não posso interferir nas tuas observações, pois elas são fruto do teu ler-sentir-discernir a vida. E que bom que é assim!

Numa coisa concordamos, porém: o ser sempre será mais importante. Mas, evidentemente, esta é uma questão de natureza existencial. É a única forma que acaba valendo nos critérios de aferição do que seja de fato verdade para a eternidade.

Todavia – e apenas para salientar a existência de outros pontos de vista...

Sei que o texto não teve pretensões de natureza social. Eu é que gosto de ampliar o leque das possibilidades, das informações. Neste sentido, penso que as outras questões não são desimportantes. A questão é avaliar sob que ponto de vista. De tal forma que é importante – do ponto de vista histórico-social – o aprendizado com as origens, com as raízes que formam o patrimônio cultural, ensinando e mantendo vivo o legado de uma nação (daí existirem o Dia do Índio, da Consciência Negra, da Bandeira, de Ação de Graças, o Monumento aos Pracinhas, o Parque Chico Mendes, etc), também o será na construção da identidade de um conjunto de pessoas (antropologicamente chamado povo). Fernanda Montenegro, uns aninhos atrás, protagonizando um comercial do Ministério da Cultura, terminava sua fala dizendo: “triste de um povo que não tem memória”. Evidentemente, o contexto tinha a ver com identidade nacional e manutenção das memórias (o patrimônio para as gerações futuras). Mas é apenas pra gente pensar.

No mais, concordo que a intolerância – de todos os lados e sob todos os ângulos – gera intolerância. Pra mim, é [mais] uma demonstração banal de como alguns lidam com seus ódios e desrespeitos, o paradoxo do próprio ser que não aceita o semelhante.

Amigo, discernindo a letra por detrás dos significados que você emprestou ao texto, resta um bom pai, alguém antenado com o futuro e comprometido com a memória das gerações futuras. Educar é formar. Tem que amar pra alcançar esse resultado. Que lindo saber de teu empenho nesse mister!

===

A. Reiffer disse...

Disseste muito bem, concordo contigo. Essa mania de espalhar aos quatro ventos uma rotulagem, torna aquilo que pretendemos pregar que somos algo antipático e faz perder a força do que pretendemos fortificar.

εïз vanessa disse...

Sinceramente, também não admito esses tipos de orgulhos que se dizem anti-preconceito mas que, na verdade, só geram preconceito. Para cada grupo se forma e que pretende proclamar a "igualdade", acabam eles mesmos se tornando um grupo a parte, distinto. Cheios de opiniões, requisições e verdades que, como você disse, tem fim em si mesmos. Mas, honestamente, penso que são mesmo, grupos de pessoas que ainda não se descobriram ser e, de alguma forma, acreditam que precisam orgulhar-se de alguma coisa para se descobrirem alguma coisa.
Gostei muito =]

Daniel Savio disse...

Cara, isto me lembra um frase, ódio só gerar ódio, pois só alimenta um circulo vicioso, assim como preconceito...

Fique com Deus, menino Robson Schneider.
Um abraço.